A brincadeira pode continuar mesmo quando o ritmo fica mais lento
Um Labrador idoso pode continuar demonstrando grande interesse por comida, cheiros e pequenas descobertas dentro de casa, mesmo quando já não se movimenta com a mesma velocidade de alguns anos atrás.
Isso permite adaptar as brincadeiras em vez de simplesmente eliminá-las.
Uma procura por petiscos, por exemplo, pode ser organizada para que o cachorro use principalmente o olfato e caminhe em ritmo tranquilo. Não é necessário lançar alimentos, estimular uma perseguição ou criar uma competição para ver quanto tempo ele leva para encontrá-los.
O espaço atrás do sofá pode fazer parte dessa atividade, mas somente quando oferece passagem confortável para um cachorro de grande porte. Se for estreito, exigir uma curva difícil ou tiver piso escorregadio, é melhor escolher outro ponto da sala.
Antes de pensar no esconderijo, portanto, vale observar uma coisa mais importante: como o Labrador chega até ele.
Procurar é diferente de correr atrás
Quando o tutor joga um petisco para longe, muitos Labradores tentam alcançá-lo rapidamente. Esse não é o comportamento que queremos estimular neste exercício.
Aqui, a proposta é outra.
O cachorro deve ter tempo para baixar a cabeça, investigar os cheiros, escolher uma direção e caminhar até encontrar a recompensa.
Por isso, o treinamento começa com uma procura extremamente fácil.
Coloque o Labrador em uma posição confortável e deixe que ele veja você colocar um pequeno petisco no chão, a pouca distância.
Não jogue o alimento.
Coloque-o.
Essa pequena diferença ajuda a evitar que a atividade comece como uma perseguição.
Quando ele caminhar até o petisco e encontrá-lo, deixe que coma tranquilamente. Não é necessário aumentar sua excitação com movimentos rápidos ou comemorações exageradas.
Depois de algumas repetições, você pode começar a tornar a procura menos óbvia.
Antes de usar o espaço atrás do sofá, observe o caminho
Para um Labrador jovem, alguns centímetros a mais ou a menos talvez não façam grande diferença.
Para um cachorro idoso, fazem.
Caminhe pelo trajeto que ele precisará percorrer e verifique se existem tapetes que deslizam, fios, vasos, quinas, objetos pequenos ou mudanças de piso.
Observe também a largura disponível ao lado e atrás do sofá.
O cachorro não deve precisar se espremer entre o móvel e a parede para alcançar a recompensa. Também não é interessante criar uma situação em que ele consiga entrar, mas tenha dificuldade para virar ou sair.
Se houver dúvida, use inicialmente apenas a lateral do sofá.
O esconderijo pode avançar alguns centímetros somente depois que você observar que o Labrador percorre aquele caminho confortavelmente.
Ensine primeiro a procurar onde ele consegue ver
Pegue um petisco pequeno e deixe o cachorro perceber que você o tem.
Em seguida, coloque a recompensa no chão perto da lateral do sofá, ainda completamente visível.
Você pode utilizar uma palavra curta, como “procura”, imediatamente antes de permitir que ele vá até o alimento.
A palavra não precisa ser repetida várias vezes.
Nesse começo, o objetivo é apenas criar uma associação simples: depois daquele sinal, existe algo interessante para investigar.
Faça algumas tentativas fáceis e encerre enquanto o cachorro ainda demonstra interesse.
Para um cão idoso, uma sessão não precisa atingir determinada quantidade de minutos para ser considerada útil. Algumas procuras tranquilas podem ser suficientes naquele dia.
Depois, esconda apenas uma parte do petisco
Quando a procura visível estiver fácil, coloque a recompensa parcialmente escondida na lateral do sofá.
Ela pode ficar em um ponto em que o cachorro talvez não enxergue imediatamente, mas consiga localizar usando o nariz sem precisar fazer esforço físico adicional.
Observe o corpo dele.
Se começar a acelerar, você provavelmente aumentou a excitação mais do que desejava.
Se permanecer parado sem investigar, a dificuldade talvez tenha aumentado rápido demais.
Nesse caso, volte para um esconderijo mais simples.
O progresso não está em esconder cada vez melhor. Está em permitir que o cachorro continue procurando de maneira confortável.
Só então leve a procura para trás do sofá
Se o espaço tiver sido considerado seguro e amplo, coloque o primeiro petisco próximo à entrada da passagem.
Nas tentativas seguintes, ele pode ficar um pouco mais para dentro.
Não coloque imediatamente a recompensa no ponto mais distante.
O Labrador precisa descobrir gradualmente que pode caminhar por aquele trajeto, encontrar o alimento e sair sem pressa.
Também não bloqueie a saída ficando atrás dele.
Um cão grande pode precisar recuar, reposicionar as patas ou simplesmente desistir da busca. Ele deve ter espaço para fazer isso.
Se a configuração do sofá não permitir esse movimento confortavelmente, aquele local não é adequado para a brincadeira.
Como impedir que a procura vire uma corrida
Não é necessário ensinar um comando especial para fazer o Labrador diminuir a velocidade.
A própria organização da atividade pode favorecer um ritmo mais tranquilo.
Em vez de espalhar muitos petiscos pela sala, trabalhe com uma recompensa por vez. Espere que ele termine uma procura antes de preparar a seguinte.
Evite apontar freneticamente para o esconderijo ou caminhar rapidamente à frente do cachorro.
Se ele ficar muito excitado ao perceber os alimentos, espere alguns instantes antes de iniciar outra tentativa.
E, principalmente, não lance o petisco para o próximo esconderijo.
O que queremos reforçar é farejar e procurar, e não perseguir algo que acabou de se mover.
O cachorro não precisa encontrar tudo sozinho
Existe uma diferença entre oferecer um pequeno desafio e deixar o animal frustrado.
Se o Labrador procura durante algum tempo e não consegue localizar o petisco, você pode facilitar.
Aproxime-se do local, torne a recompensa parcialmente visível ou simplesmente faça a próxima tentativa em um ponto mais fácil.
Não há benefício especial em insistir até que ele descubra sozinho.
Para um cachorro idoso, o jogo deve continuar sendo uma atividade agradável, não um teste.
O piso merece tanta atenção quanto o esconderijo
Durante uma procura olfativa, o cachorro pode caminhar com a cabeça baixa e prestar mais atenção ao cheiro do que ao lugar onde coloca as patas.
Isso torna a estabilidade do piso especialmente importante.
Observe a região ao redor do sofá e também o caminho até ela.
Se utilizar tapetes ou passadeiras para aumentar a aderência, eles próprios precisam permanecer firmes. Uma peça que escorrega, enruga ou se desloca quando o Labrador pisa pode criar um obstáculo adicional.
O mesmo cuidado vale para a transição entre diferentes superfícies.
Nem todo Labrador idoso deve procurar atrás do sofá
A atividade precisa ser adaptada ao cachorro, e não o contrário.
Se ele apresenta dificuldade importante para caminhar, fazer curvas, abaixar a cabeça ou recuperar o equilíbrio, você pode realizar exatamente o mesmo jogo em uma área mais aberta.
Também não insista se perceber que ele evita voluntariamente o espaço atrás do móvel.
O interesse pelo petisco não deve ser utilizado para convencer o cachorro a entrar em um lugar no qual demonstra insegurança.
Nesses casos, uma toalha aberta no chão, um tapete olfativo apropriado ou alguns esconderijos fáceis em uma área desobstruída podem cumprir melhor a proposta.
Observe quando o corpo está dizendo que já chega
Durante a atividade, preste atenção não apenas em quanto o Labrador procura, mas em como ele se movimenta.
Interrompa ou facilite o exercício se perceber aumento evidente de esforço, dificuldade para se levantar depois de abaixar a cabeça, perda de equilíbrio, escorregões ou relutância em continuar.
Ofegação também precisa ser interpretada considerando temperatura, atividade realizada e condição individual do cachorro.
E uma mudança recente na mobilidade não deve ser tratada simplesmente como parte inevitável da idade.
Dor, quedas, fraqueza, desorientação ou dificuldade progressiva para caminhar merecem avaliação veterinária.
Cuidado com a quantidade de petiscos
Existe ainda um detalhe fácil de esquecer quando a recompensa é comida.
Os petiscos utilizados no treinamento também fazem parte da ingestão diária do cachorro.
É possível trabalhar com pedaços pequenos e, dependendo da alimentação e da orientação recebida para aquele animal, utilizar parte da própria porção diária como recompensa.
Isso permite realizar várias pequenas descobertas sem transformar uma atividade de poucos minutos em uma quantidade desnecessariamente grande de alimento.
Se o Labrador possui alguma restrição alimentar ou segue dieta específica, a escolha das recompensas deve respeitar essa orientação.
Depois que ele entender o jogo, você pode variar sem aumentar o esforço
Não é preciso tornar os esconderijos progressivamente mais difíceis para manter a atividade interessante.
Em um dia, o petisco pode ficar ao lado do sofá.
Em outro, próximo à cama do cachorro.
Uma recompensa também pode ser colocada em um ponto acessível do corredor ou em outra área conhecida da casa.
O desafio pode vir da mudança do cheiro e da localização, sem exigir que o Labrador caminhe mais rápido ou percorra uma distância maior.
Essa é uma das vantagens das atividades de procura: a dificuldade mental pode aumentar sem que a exigência física aumente na mesma proporção.
O melhor jogo termina antes de deixar de ser divertido
Não existe prêmio por encontrar mais petiscos nem necessidade de cumprir um percurso completo.
Talvez em determinado dia o Labrador faça várias procuras.
Em outro, encontre apenas duas recompensas e prefira voltar para a cama.
As duas situações podem ser perfeitamente aceitáveis.
Ensinar um cachorro idoso a procurar petiscos atrás do sofá não significa recuperar o ritmo que ele tinha quando jovem. Significa criar uma brincadeira compatível com aquilo que ele consegue fazer hoje.
Se ele pode caminhar até o esconderijo, investigar com calma, encontrar a recompensa e retornar confortavelmente, o exercício já cumpriu sua função.
A velocidade deixa de ser importante.
O que permanece é a oportunidade de usar o nariz, fazer escolhas e continuar participando de pequenas descobertas dentro da própria casa.



